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domingo, 7 de junho de 2009

CRONOLOGIA DA PERSEGUIÇÃO LUSO-ESPANHOLA CONTRA OS JUDEUS



fonte: Morashá


Século X a.C. - Alguns estudiosos levantam a hipótese de que navegantes israelitas acompanharam os fenícios em suas viagens pelo Mediterrâneo, chegando à Península Ibérica. Vários pesquisadores estão de acordo que o termo Lusitânia (antigo nome de Portugal) provém do fenício-hebraico através da raiz semântica luz (avelã ou amendoeira);


Início desta era comum (e.c.) - A administração romana na Península Ibérica atrai para a região diversos comerciantes judeus;


Século IV - A presença judaica na Espanha já devia ser significativa, ao ponto do concílio de Eliberi incluir na pauta de discussão a questão judaica;


468 - Eurico, rei visigodo, conquista a Península Ibérica;


489 - Os ostrogodos, comandados por Teodorico, invadem a Península Ibérica;


589 - A conversão do rei visigodo Recaredo ao catolicismo romano proíbe os casamentos mistos e a conversão de cristãos ao judaísmo. Os judeus são excluídos de posições de confiança ou de autoridade no Estado;


616 - Subida de Sisebuto ao trono dos reinos espanhóis. Desde então por quase um século a prática aberta do judaísmo fica absolutamente proibida;


711 - Invasão bérbere muçulmana à Península Ibérica. A vida dos judeus peninsulares se desenvolve em circunstâncias mais favoráveis que sob os reis cristãos;


756 - Fundação do emirato de Córdoba;



Séculos X-XII -Idade de Ouro do judaísmo espanhol sob domínio muçulmano. Brilham a medicina, a filosofia e a literatura entre os judeus ibéricos (sefaradis);


1200 - Início dos estudos da Cabala na península. Girona torna-se o centro cabalístico mais famoso;


1223 - O papa Gregório IX estabelece um sistema legal de investigação nos centros dos albigenses e os coloca sob responsabilidade dos dominicanos. Início da Inquisição;


1265 - Na Summa Teologica Tomás de Aquino (teólogo italiano da ordem dos dominicanos) prescreve a morte para os hereges que, depois de duas advertências não se arrependam. Alexandre IV ratifica a bula Ad extirpanda, promulgada por Inocêncio IV a 15 de maio de 1252, que institui a tortura. É oficializada a primeira Inquisição na Itália, conhecida como medieval ou papal, com informantes, exame de prelados, confisco de bens, queima de propriedades, processos, sessões de tormentos e cremação pública de impenitentes. Aquino não inclui os judeus entre os heréticos, mas referindo-se ao "deicídio judaico" recomenda que aqueles fossem mantidos em estado de "servidão perpétua por causa de seu crime" e que os príncipes confiscassem seus bens, deixando-lhes apenas o necessário para viver;


1376 - O teólogo e perito em jurisprudência Nicolau Eymerich (exilado de Catalunha e Aragão), após demonstrar excesso de zelo como inquisidor geral é convidado pelo papa Gregório IX para ser seu capelão em Avinhão. Aí elabora o famoso manual resumindo suas experiências, o Directorium inquisitorum;


1391 - Aproveitando-se da morte de João I de Castela e do arquiduque da cidade, o arquidiácono de Sevilha, Fernando Martinez de Ecija, predica contra os "deicidas" e, a 16 de junho, a turba popular precipita-se para o bairro judeu. Os que não conseguem fugir e não se convertem à força são chacinados no local. Fanáticos seguidores vão de cidade em cidade agitando a massa aos gritos de "Martinez está chegando! Para os judeus, a morte ou a água benta!" O massacre em cadeia atinge as judiarias de Andaluzia, Murcia, Mancha, Ciudad Real, Leon, Logroño e Navarra. O cronista Paulo Lopez de Ayala observa: "A avidez de saquear os judeus cresce a cada dia". E a massa saqueia e mata judeus em Alcalá de Guadaira, Ecija, Carmona, Santa Olalla, Cazalla, Córdoba, Andújar, Montoro, Úbeda, Baeza, Jaen, Ciudad Real, Ocaria, Huete, Cuenca, Madri, Toledo, Estremadura, Logroño, Valência, Barcelona, Girona, Cervera, Lérida e Palma de Maiorca. O balanço final foi de quase 50 mil mortos. A essa matança, que marca o fim da convivência pacífica entre cristãos e judeus na Espanha, sucedem-se muitos batismos. Mas os conversos logo passam a ser vistos como "hipócritas" e são perseguidos com maior ferocidade. Na mesma época, percorrendo a França e a Espanha, o dominicano francês Vincent Ferrer converte dezenas de milhares de judeus com pregações seguidas de violências e pilhagens;


1443 - Surgem na Espanha os primeiros decretos de Limpieza de sangre segregando judeus e conversos. Em Ávila as casas dos judeus são saqueadas;


1449 - Ocorre o primeiro ataque aos conversos, quando alguns ricos mercadores são culpados pelo brusco aumento de impostos devido à guerra contra Aragão. O panfleto Fortalicium Fidei, do franciscano Alonso de Espina, de Segóvia, que conhece oito reedições em 58 anos, leva o papa Nicolau VI a decretar uma série de medidas contra os conversos. Ocorre o primeiro assalto a uma judiaria em Portugal. Progom contra os conversos em Toledo;


1478 - A pedido dos reis católicos Fernando de Aragão e Isabel de Castela é instalada em Sevilha a Inquisição, levando os judeus a fugirem em massa e pagando aos nobres o abrigo em seus castelos;


1450-1480 - Época de paz e prosperidade dos judeus em Portugal;


1478 - Fernando e Isabel, assistidos por eclesiásticos como Pedro Gonzalez de Mendoza e Francisco Jimenez, culpam a tolerância da Santa Sé Romana frente aos judeus pela "guerra civil, homicídios e males inumeráveis que afligem os reinos espanhóis";


1480-1496 - Judeus fogem da Inquisição espanhola, aumentando consideravelmente as comunidades israelitas em Portugal;


1483 - É criado na Espanha o Conselho da Inquisição, presidido pelo frei Tomás de Torquemada;


1486 - Os reis católicos pressionam o papa a autorizar a nomeação de um inquisidor geral e, a 11 de fevereiro, Inocêncio VIII assina a bula que nomeia para o cargo o frei dominicano Tomás de Torquemada. Sua tarefa era destruir a heresia "pela via do fogo". Torquemada foi o responsável por quase metade dos cremados pela Inquisição espanhola em toda sua história: cerca de dois mil queimados vivos e 15 mil garroteados até 1490. O próprio papa ficou chocado e tratou de impor limitações à Inquisição espanhola, mas não conseguiu dissuadir os reis católicos a renunciar à arma que agora tinham nas mãos;


1492 - (31 de março) Decreto de Fernando e Isabel expulsa os judeus da Espanha. Os que não emigram são obrigados a se converterem ao cristianismo. Cerca de 180 mil judeus fogem para outros países, desses, 120 mil entram em Portugal;


1493 - Instalados em cabanas nas fronteiras de Portugal com Espanha, os judeus passam fome e conhecem uma medita inédita em sua crueldade: por ordem de Dom João II cerca de duas mil crianças de dois a dez anos de idade, filhos daqueles refugiados, são transportadas para as ilhas de São Tomé (África) para morrerem de fome ou serem trucidadas por animais selvagens;


1495 - Assinado o contrato de casamento entre Manuel de Viseu (primo de Dom João II) e Isabel (princesa espanhola viúva), filha dos reis católicos Fernando e Isabel;


1496 - (5 de dezembro) Decreto de Dom Manuel expulsa os judeus de Portugal. Fica clara a influência da intolerância religiosa espanhola sobre o reino português;


1497 - A expulsão de Portugal na verdade não ocorre. Efetua-se o seqüestro das crianças judias até 14 anos para serem distribuídas à população cristã e reeducadas na fé católica, às expensas da Coroa. Os judeus adultos são batizados compulsoriamente em Portugal. Há menções históricas ao fato de que, neste ano, cerca de um décimo de toda a população portuguesa era constituído de judeus. Inicia-se o criptojudaísmo português;


1498 - (26 de julho) - Roma celebra um auto-de-fé com 250 conversos de origem espanhola diante da Catedral de São Pedro, na presença do papa Alexandre VI;


1499 - (21 de abril) Proibição dos cristãos-novos deixarem Portugal;


1500 - (22 de abril) Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil. A bordo de suas naus está o cristão-novo Gaspar da Gama, intérprete da expedição;


1506 - (15 de abril) Pogrom de Lisboa. Cerca de três mil cristãos-novos são massacrados pela população incitada por clérigos fanáticos;


1535 - (12 de outubro) O papa Paulo III concede perdão geral aos criptojudeus;


1536 - (23 de maio) Bula de Paulo III estabelece a Inquisição em Portugal. Reinado de Dom João III;


1539 - Início da atividade do Santo Ofício em Portugal. O cardeal Dom Henrique é o primeiro Inquisidor-geral. João III, insatisfeito por não ter o controle da Inquisição, afronta o papa nomeando seu próprio irmão, Dom Henrique, no posto de inquisidor-mor;


1540 - (20 de setembro) Primeiro auto-de-fé na Ribeira das Naus, em Lisboa, assistido pessoalmente por João III, nobreza, alta hierarquia, clero e povo portugueses;


1542 - O reformador protestante alemão Martinho Lutero publica o panfleto Contra os Judeus e suas Mentiras, tratando-os de "povo endemoninhado, peste, pestilência e pura desgraça em nosso país". Em Shem Hamephoras aponta-os como "filhos do Diabo", propondo que se ateasse fogo nas sinagogas e as recobrisse de areia e lama e se matassem os judeus que louvassem a Deus, orassem, ensinassem ou cantassem em solo alemão. Quando surge na Península Ibérica a "questão cristã-nova", os teólogos já dispõem de uma longa tradição teológica e prática de cremação para justificar seu desejo, sabendo muito bem o que fazer com os judeus convertidos e seus descendentes. Assim, o frei Antônio de Sotomayor não hesitou em opinar, "em boa razão discreta e cristã" que era conveniente queimar os cristãos-novos, já que tal havia sido o critério de homens tão destacados como frei Juan de Portugal, Diogo Nuño e Domingo Bánez, "que seu parecer era que os queimassem todos e tal era o sentir do povo em todas as escalas sociais";


1547 - (11 de maio) Decreta-se o segundo perdão geral aos cristãos-novos;


1560 - (Aproximadamente) José Mendes Nassi adquire e reconstrói Tiberíades (antiga cidade israelita) e incentiva os judeus dispersos a retornarem a Israel. Por sua atitude tornou-se um dos pioneiros do sionismo;


1567 - (30 de junho) Alvará proíbe a saída dos conversos forçados de Portugal;


1591 - Visitadores da Inquisição chegam pela primeira vez ao Brasil (Bahia);


1593 - Judeus portugueses fundam a primeira comunidade sefaradi em Amsterdã (Holanda);


1605 - (16 de janeiro) Perdão geral dado aos forçados, pelo Vaticano, mediante a extorsão de um milhão e setecentos mil cruzados;


1618 - Visitadores da Inquisição chegam pela segunda vez ao Brasil;


1630-1654 - Os holandeses dominam o Nordeste brasileiro. Isaac Aboab da Fonseca, o primeiro rabino do Novo Mundo, atua em Recife entre 1642 a 1654;


1654 - Com a tomada de Recife pelos portugueses, os judeus da cidade fretam 16 navios, fogem e fundam a primeira comunidade israelita da América do Norte, em Nova Amsterdã, hoje Nova York;


1665 - O padre Antônio Vieira é preso pela Inquisição por sua posição teológica contra a instituição eclesiástica. Em 1667 Vieira é privado pela Inquisição "para sempre de voz ativa e passiva, e de poder pregar, e reclusão no colégio ou casa de sua religião, que o Santo Ofício lhe assinar, donde sem ordem sua não sairá";


1765 - (27 de outubro) Último auto público de fé realizado em Lisboa, em que saem condenados por judaísmo;


1773 - (25 de maio) O marquês de Pombal determina a abolição jurídica da distinção entre cristão-velho e cristão-novo em Portugal;


1774 - Pombal transforma a tribunal da Inquisição portuguesa, de religioso a tribunal régio; 1821 - Extinção formal da Inquisição em Portugal;


1822 - (7 de setembro) Independência do Brasil de Portugal;


1823 - O antiprojeto da primeira Constituição brasileira previa a tolerância religiosa, mas o catolicismo continuava sendo a religião oficial do Império e proibia-se a construção de templos para as demais religiões;


1834 - (15 de julho) A rainha Isabel II decreta o fim da Inquisição espanhola;


1899 - (15 de novembro) Proclamação da República no Brasil;


1890 - (7 de janeiro) Separada oficialmente a Igreja do Estado brasileiro;


1962 - O Concílio Vaticano II, comandado pelo papa João XXIII, abre uma nova era de diálogo e respeito da Igreja Católica Romana com os judeus;


1978 - No primeiro ano de seu pontificado o papa João Paulo II afirma: “A Inquisição é um capítulo doloroso do qual os católicos devem se arrepender";


1990 - Fundação da Sociedade Hebraica para Estudo do Marranismo (Shemá) em São Paulo (SP).


1995 - Publicação do livro Os Marranos e a Diáspora Sefardita.


1997 - Lançamento da revista JUDAICA, a principal publicação de divulgação sobre o marranismo no Brasil. (HDC)


Bibliografia:
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3 comentários:

Fernanda Dutra disse...

Salve! Você poderia responder para minha filha,Julia,três perguntas acerca do Judaismo.
1-A origem do Judaísmo.
2-Os profetas.
3-A doutrina judaica.
Obrigada.
Abraços.

Maria Thereza disse...

Professor, estou chocada com o tamanho do mal, ou MAL, que foi feito em nome do Criador! Ou por motivos politicos e economicos. Sempre usando o seu nome. E fiquei tb absimada pesquisando um dos livros usados (Raizes judaicas no Brasil), em ver meus nome lá todos os cinco nomes que tenho de antepassados. Fico pensando o que ele não tiveram que sofrer para que eu chegasse aqui. E quanto perdi no caminho.
Obrigada por mais este ensinamento!
Abraços

Nuíquer Castro disse...

obrigado Rav
estudar é uma forma de entender o passado...