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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

SHABAT VAYICHLACH וַיִּשְׁל֨ח ou, ELE ENVIOU

ברוך ה"ה


SHABAT VAYICHLACH וַיִּשְׁל֨ח ou, ELE ENVIOU
por Pietro Nardella-Dellova

Meus caros chaverim e chaverot: Shalom Alechem!

Desejo-lhes um Shabat Vayichlach com pleno de Shalom.

Nesta Parashá Vayichlach וַיִּשְׁל֨ח (e ele enviou) de Bereshit (Gen) 32:4 a 36:43, Ya`akov avinu, volta à terra e esta prestes a se encontrar com seu irmão Esav, de quem obteve, anos antes, a primogenitura por direito "qualitativo".

E, após mandar notícias suas para o irmão, recebe a informação por seus funcionários de que ele vem ao seu encontro (ou de encontro) com 400 homens!

Quatro aspectos nesta passagem (32: 4 e ss) devem ser ressaltados:

1. uma informação de conteúdo adverso a Ya`akov (32:7);
2. que gera um profundo temor e aflição em Ya`akov (32: 8);
3. que o leva à consciência de seu relacionamento com HaShem e de seu objetivo (32: 10-13);
4. e à atitude de sabedoria e estratégia de enfrentamento (32: 14 e ss)


Talvez quiséssemos que tudo fosse fácil, tranqüilo e acessível. Talvez quiséssemos que não houvesse oposições nem inimigos. Mas, para nosso bem e para nosso crescimento, o Eterno não apenas nos apresenta desertos, mas, oposições multifacetadas. Ou seja, temos diante de nós um ambiente, um espaço, de exercício fenomenal para desenvolvermos nossa capacidade de enfrentamento. E temos, também, oposições e inimigos de variadas cores, pesos e medidas.

Nosso pai Ya`akov vivia, muitos anos antes, em seu conforto de estudante da Torá, por isso mesmo era chamado de Ish Tam, ou seja, um homem de estudo, um estudioso (25: 27).

Mas, embora os estudos nos tragam imenso e indizível prazer, não vale por si mesmo, enquanto estivermos em curso de construção e movimentação, em devir como diriam os gregos, ou em formação, como ensinam os sábios judeus. Haverá um tempo, quando Mashiach nascer, em que os estudos valerão por si mesmos pois estarão na completude sefirótica e seguirão, normalmente, os vinte e dois caminhos que ligam cada uma das sefirot! Os estudos, no presente momento, servem para o embate, para a concretização, para a travessia daqueles desertos e desta galut!

Por isso mesmo, o encontro entre Ya`akov e Esav determinam duas forças e suas naturezas de ação. De um lado, a força e habilitade de um caçador, Esav. De outro, a sutileza e sabedoria aplicavel de Ya`akov. Mas, ambos cresceram juntos, conforme revela a Torá (25: 27).

O fruto do conhecimento é sua exata aplicação no mundo da praxis. O conhecimento leva à consciência do estado em que nos encontramos, a força de nossos inimigos, nossos medos e pavores, nosso objetivo e relacionamento com HaShem e, sempre, a uma reflexão de comportamento e estratégia de ação! Não nos tornamos heróis com o conhecimento e isso é particularmente verdadeiro no caso de nós judeus, mas, o tempo que dispomos aos estudos em nossas tendas, assim como Ya`akov fazia (25:27) apenas será valorado diante das (e de todas) as dificuldades que encontramos entre nossos passos iniciais e o objetivo a ser alcançado.

Ser um Ish Tam (homem de estudos) refere-se com singular especialidade aos Estudos da Torá, de seus fundamentos, de suas Mitzvôt e de tanto quando se possa alcançar em cada uma das Letras que a compõem! Geralmente, os que estudam, fazem-no em busca de um diploma ou de um status social. Como judeus, estudamos para nossa formação e, por isso mesmo, a Torá se traduz por Instrução, não sendo à-toa que a Torá escrita foi dada em um ponto inicial da caminhada entre o Egito e a Terra prometida a nossos pais!

Um dos pontos fundamentais dos estudos realizados em face da Torá é a capacitação psicológica do „ish tam“. Ou seja, nela Torá (e, no caso de Ya`akov estamos falando de uma Torá Oral apreendida em seu tempo pelo Mestre de Justiça (o Melk Tzedek) Shem, filho de Noach), encontramos todos os perfis psicológicos, emocionais e intelectuais, bem como do trato físico e de seus respectivos e, acima de tudo, dos comportamentos sociais. Seu estudo nos ilumina e nos faz conhecer as espirais comportamentais humanas.

Por isso mesmo, Ya`akov analisa, verifica, reflete e decide a estratégia de enfrentamento com que encontrará seu irmão Esav, conforme Bereshit 32: 14-22. E, após este mesmo pasuk (versículo) 22, Ya`akov reserva-se a uma luta maior, solitário e na noite inteira, em busca de um resultado ainda maior, isto é, o de ser reconhecido pelo estranho com quem lutou (possivelmente o mesmo Bi`ilam que, mais de dois séculos depois será vencido definitivamente por Moshè rabenu!) de forma cabal como „Isra`el“ (o príncipe do Eterno ou o que luta para vencer).

Ao final, verificamos que muitas são as situações de oposição e de conflito, muitos são os inimigos, mas, a cada um devemos dedicar uma estratégia. Com cada um lutamos, mas de modo diferente e estrategicamente variável!

No caso deste trecho, Bereshit 32, que vai do pasuk 4 ao 22, o eminente perigo que se apresenta é Esav com seus 400 homens (32:7 e 33:1), para o qual existe uma determina reflexão e a disponibilização de um certo recurso material. Do pasuk 22 ao 33, a luta é solitariamente outra – a de ser reconhecido como um príncipe ou como alguém que saiu para vencer! No primeiro caso a defesa não é apenas de Ya`akov, mas de sua família. No segundo, trata-se de uma luta para além, de cuja vitória depende a nossa própria e individual existência. Se na primeira situação ele reflete sobre seus medos, pensa, e orienta seus funcionários e familiares, no segundo, ele deve ficar só, imensamente só, profundamente só, em uma luta, agora, individual, onde realmente verifica suas forças interiores e sua lucidez em saber-se como um Ish haElohim (homem de D-us) e concentrar sobre si o reconhecimento de outras forças, igualmente, poderosas!

Em termos cabalísticos, Esav e seus 400 homens em nada mais resultam que em „bet“, a casa/espaço que deve ser ocupada, a expressão da dualidade em relação a Ya`akov e seus melachim (mensageiros), que resultam em força, proveniente da Torá, em „het“, que transcende o tempo/espaço para a verdadeira luta que ocorre com o homem estranho (pasukim 22-33). Ali, Ya`akov tem reconhecido seu status de „Isra-el“, ou seja, seu „yod“ e seu posicionamente número um!

Nas Bênçãos do Eterno,

Rav Pietro Nardella-Dellova

Sankt Gallen, Svizzera, 4 dezembro 2009 (17 Kislev 5770)

© Pietro Nardella-Dellova. É Professor e Consultor de Direito. Mestre em Direito pela USP. Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP. Pós-Graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor das Obras: AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92) e FIO DE ARIADNE (org./co-aut., 94), A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (98), A CRISE SACRIFICAL DO DIREITO (2001) e, agora, do A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS, SP: Ed. Scortecci, 2009, 312 p..
Confira mais no Blog Café & Direito http://nardelladellova.blogspot.com/
e para contactar utilize o e-mail: professordellova@libero.it*

Um comentário:

denise disse...

Assim com Ya`akov,precisamos "estudar" e ter a Tora' em nossas vidas,buscarmos sabedoria nela.Pois, essa sera' eternamente nossa arma para enfrentarmos os "desertos e os inimigos" que encontramos ao longo do caminho.Sera' eternamente luz para nosso pés.
Tantas vezes, na nossa pequena visao,nao conseguimos entender...comprender o porque das adiversidades...mas devemos recordas que a sabedoria vem com a experiencia.O Eterno em toda sua sabedoria...nos prepara caminhos para o nosso crescimento espiritual.
Assim como Ya`akov,devemos ter a sabedoria adiquirida pelo estudo da Torà,pois com ela teremos a força e o discernimento para lutarmos...e assim sermos reconhecidos!
....Lasciami andare perché è sorta l'alba...e lui risponde:Non ti lacserò andare si non mi avrai benedetto.(Bereshit32:27)

BatYa'akov